Colocação de fotografias e texto

As imagens que colam o real ao tempo e viajam no espaço, são neste blog um tema a explorar nas mais diversas áreas , trazendo até nós os seus pequenos universos conquistados ...num simples disparo.
"gentes e espaços", pretende também promover a discussão de temas importantes sobre ambiente e conservação, sociedades, cultura, politica entre outros...


terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A Inclusão de Minorias Étnicas 2ª parte

Fruto de anos de convivência com a comunidade cigana da Cruz da Picada ( Freguesia da Malagueira ) em Évora , aprendi a olhar uma realidade que de outra forma me parecia muito distante e complexa de interpretar à luz das problemáticas que lhes estão associadas. Acredito que os olhares que tinha sobre estas gentes se pautavam pela superficialidade, facto curioso pois alterou-se aquando comecei a desempenhar funções profissionais com esta comunidade. Todavia, e não obstante a minha curiosidade de investigador social, há muitos anos que convivo pessoalmente com elementos desta minoria étnica e que nunca , talvez por serem poucos e de trato fácil, tive a curiosidade em perceber as relações e as imensas redes de comunicação que se processam entre eles, imensamente impregnadas de conceitos e simbologia históricas estruturais.

Efectivamente a dificuldade em desenhar um quadro contextual que caracterize os processos da comunidade cigana em si e com o meio envolvente é elevada e evidencia sinais preocupantes de desvios comportamentais , em especial nos segmentos mais jovens, que no passado não se verificavam. Esta situação é tanto mais visível quanto maior for as dificuldades económicas que o pais atravessa.

Trazendo um pouco de Bourdieu a esta reflexão, a importância do espaço social onde se inscrevem as simbologias e  representações da minoria difere substancialmente do que o teorizado na generalidade para as sociedades, porquanto revela um sistema fechado cujo habitus se mantém inalterado contrariando a dinâmica que se espera na esfera do campo das socializações. A identidade e sentimento de pertença é assíduo e transmitido pela história própria , que deposita os testemunhos em alguns elementos, que por seu turno são o garante das suas tradições e preservação dos códigos e comportamentos sociais. Em suma, em determinadas circunstâncias, conseguimos detectar que a organização se auto-protege de influências externas.

A modernidade surge distanciada da realidade cigana nos aspectos mais intrínsecos, não obstante, segue em outros contextos a complexidade do mundo global , priorizando e redireccionando actividades económicas para campos mais limites e sintomáticos de comunidades agregadas em nichos tradicionalmente fechados ao meio envolvente.

As tradições encerram a identidade e de alguma força o espaço social perde a significância enquanto espaço real, substituindo-se num espaço social virtual e imaterial. A inclusão envolvida em processos e tentativas Políticas de carácter experimental, tem revelado que as Instituições não sabem , ou em casos mais particulares, não querem que a Inclusão se constitua um sucesso. Estamos constantemente a subsidiar condições sócio-culturais e económicas condutoras de uma mesma realidade Exclusão versus Inclusão e não saímos desta dicotomia. Ao observarmos a Comunidade Cigana de Espanha, verificamos que o sistema e as redes de relacionamento com o exterior são bem mais dinâmicas, facilitadoras e inclusivas. As tradições expandem-se e exteriorizam-se , alcançando patamares culturais, sociais, económicos e políticos bem distintos da realidade Portuguesa.

Na comunidade em causa, pude constatar ao longo dos anos factos que colocaram em evidência variáveis que são essenciais na abordagem da complexa rede de influências a que estão sujeitos dentro da sua própria organização , determinantes nas representações e produções simbólicas  que estruturam a construção da sua identidade.

Para conseguir determinar os diversos níveis de mediação, matéria que me interessava , tive naturalmente de compreender o funcionamento desta comunidade desde o extracto social mais alto ao mais baixo e como se processam as relações entre eles e paralelamente que elementos são fulcrais para a saúde e estabilidade comunitária enquanto sistema. Como comunicam, como se respeitam, a quem admitem a autoridade, o porquê da existência de vários grupos específicos dentro da comunidade, a religião e outras manifestações culturais foram importantes na conclusão de que existem três níveis de mediação.




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